sexta-feira, 10 de setembro de 2010

O meu texto favorito! Tenho que partilhar *.*

"Depois de um tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E aprendes que amar não significa apoiar-se, que companhia nem sempre significa segurança, e começas a aprender que beijos não são contratos, e que presentes não são promessas.
Começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo, e aprendes que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam… Aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e tu precisas de a perdoar por isso.
Aprendes que as pessoas que mais te amam, são justamente aquelas pessoas que recebem o teu desprezo.
E descobres que existem pessoas tão fúteis, que são capazes de trocar uma vida inteira de amor e carinho, por um curto período de prazeres e farras.
Aprendes como a vida é engraçada e como sonhos são tão facilmente destruídos.
E, em algum momento pensamos no amor.....e isso torna-se engraçado.....é engraçado... às vezes a gente sente, fica a pensar que está a ser amada, e que está a amar, e pensa que encontrou tudo aquilo que a vida podia oferecer, e em cima disso a gente constrói nossos sonhos, nossos castelos, e cria um mundo de ilusão onde tudo é belo.....até que a pessoa que a gente ama vacila, e põe tudo a perder, e põe tudo a perder........

Aprendemos que falar pode aliviar dores emocionais, e descobres que se leva anos para construir confiança, e apenas segundos para destruí-la, e que tu podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que tens na vida, mas quem tu tens na vida, e que bons amigos são a família que Deus nos permitiu escolher.
Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendermos que eles mudam, percebes que tu e os teus amigos podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobres que as pessoas que mais te importam na vida são afastadas de ti muito depressa, e é por isso que sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vemos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser.
Descobres que se leva muito tempo para te tornares a pessoa que queres ser, e que o tempo é curto.
Aprendes que ou controlas os teus actos ou eles te irão controlar, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.
Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.

Aprendes que a paciência requer muita prática.
Descobres que algumas vezes a pessoa de quem esperas o chute quando caís é uma das poucas que te ajudam a levantar.
Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve e com o que se aprendeu com elas, do que quantos aniversários se celebraram.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que suponhas.
Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são tolices, poucas coisas são tão humilhantes.... e, seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprendes que quando se está com raiva, se tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

Descobres que só porque alguém não te ama do jeito que queres que te ame, não significa que esse alguém não te ame com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que te perdoar a ti próprio.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, também tu serás em algum momento condenado.

Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes.
Aprendes que o tempo não volta atrás, portanto planta o teu jardim e decora a tua alma ao invés de esperares que alguém te traga flores, e aprendes que realmente podes suportar; que a vida tem valor e que tu tens valor diante a vida!"


William Shakespeare

domingo, 21 de março de 2010

If only they knew...

Everyone tells me I’m living in a Fairytale
“Don’t believe in white horses and prince charming”,
they said
If only they knew…

I wish I lived a dream
But only nightmares
hunt me,
feeding my fears.

“You are a dreamy girl”
they said
“you haven’t woke up for the real world yet”
If only they knew…

I’m struggling to run
into the light
But I can’t
because the darkness captured me.

My heart is broken
I can’t breath anymore
And every word they said
are like knifes craving in my skin.

See, you don’t understand
I don’t believe in fairytales
But if I gave up from hope
I would be death

I have to dream
in something beautiful.
Because this is a mad world
Because if I don’t dream with fairytales
the nightmares it’s all that lefts.

If only you knew,
that I’m a broken person
with broken dreams…

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Momentos Singulares

Querido diário,

Este é o meu último dia aqui. Amanhã vou voltar, marcada mas, pelo menos, viva.
Hoje um menino deu o seu suspiro final nos meus braços e, apesar de tal acontecer quase todos os dias, ainda choro. Estive ali, abraçada a ele, a verter as lágrimas desesperadas por sair.
Muitos dos médicos que se voluntariam pensam que são heróis, são Deuses por se meterem no meio de um conflito armado para ajudar quem precisa. Vivem em ilusões. Aprendi muito neste último ano, o suficiente para poder afirmar que os verdadeiros heróis foram os inocentes que morreram, os inocentes que perderam toda a sua família, os inocentes que nunca mais terão uma vida normal devido às suas lesões, os inocentes que foram parar a uma guerra que não era deles.
O menino continuava nos meus braços, a sua cara de anjo não demonstrava a forma atroz como morreu, sozinho, aos quatro anos, sem ninguém. Deveria ter ainda muito tempo para viver, partiu cedo demais. Ao olhar para ele lembrei-me do erro mais comum do ser humano. O facto de nos afundarmos na rotina e, apesar de temermos a morte, não viver realmente o tempo que nos é oferecido. É disso que eu tenho medo: de um dia, quando for velha, acordar, olhar para trás e ver que não aproveitei as horas que me deram, olhar para a frente e ver que as que restam já são escassas, tão escassas que já me deparo com a cara sombria da morte. É disso que eu tenho medo, ver que perdi tanto e nem sequer me apercebi.
Tens agora um grande risco na página, meu amigo, é incrível como ao mínimo barulho que se pareça com um avião ou uma explosão, toda a gente no hospital atira-se para o chão tentando achar um refúgio seguro. Nestes momentos, o meu coração acelera e o meu corpo torna-se uma pedra ante ao medo sentido. Já não seria a primeira vez que atacariam a espelunca, no meio do deserto, à qual chamamos hospital.
Será que esta sensação alguma vez se desvanecerá? Será que o medo e a dor um dia não serão mais que memórias? Ou será que estes momentos farão parte do meu novo ser?...
Antes de aceitar o seu destino, o menino disse-me algo que os seus pais lhe haviam dito antes: Jamais volverá atrás a pedra atirada, e jamais a palavra dita e a pessoa esquecida. Terá sido um aviso? Não sei… Só sei que esta é a última página que te escrevo. Irei cavar um buraco e enterrar-te lá. Pode ser que um dia alguém te encontre e te estime. Até lá ficarás seguro, aqui, no Iraque.
Este é o meu adeus,

Catt Bap

Uma dança no Prado

O sol brilha no alto e o céu limpo torna-se o mar que não se encontra no campo. À minha frente estende-se um relvado verde, o cheiro a frísia seduz levando-me a percorrer o caminho até ao meu riacho. Debaixo de uma árvore deito-me, aprecio os sons que me envolvem: a água a deslizar suavemente entre as rochas brincando com as suas ondas, os pássaros a chilrear… é nestes momentos que fecho os olhos, deixando-me levar para um reino onde tudo é mágico. A natureza envolve-me e sinto que faço parte dela, penso que pertenço aqui…
Aos poucos abro os olhos e encontro-me no meu reino de fantasia que apenas eu conheço. A árvore onde estou deitada movimenta-se, os seus ramos tornam-se braços e as suas raízes pernas. “Entra” diz-me ela, confusa olho para o seu tronco que brilha incessantemente. Curiosa de mais entro e paraliso. É um reflexo do mesmo prado, tão igual mas tão diferente…
As árvores são gigantes que falam e riem-se, contando velhas histórias de anciãs. Dou o primeiro passo entrando neste mundo surreal. Sinto pássaros a dançarem ao meu redor, em cima destes estão pequenos seres com asas e muito brilhantes, fadas apercebo-me com um sorriso. Do pequeno riacho sereias saltam e em cima das pedras alisam os seus cabelos. Aos meus pés os pequenos cogumelos transformam-se em duendes, e as flores ganham vida. “Que comece a festa!” exclama a velha árvore. Todos os seres começam a cantar. Os pássaros chilram; as sereias juntam as suas vozes agudas de soprano; as árvores agitam as suas folhas; as flores dançam pelo ar espalhando o seu maravilhoso cheiro; os dentes de leão soltam-se e como flocos de neve deixam-se flutuar pelo ar; os duendes tocam pequenos instrumentos formando uma orquestra. Todos contribuem originando uma melodia única. Fecho os olhos tentando absorver o máximo possível, sinto as notas a deslizarem no ar o som a envolver-me a moldar-me como uma brisa. Sem pensar, os meus pés mexem-se, os meus braços soltam-se, todo o meu corpo encontra uma liberdade nunca antes atingida. Deixo guiar-me ao som do meu coração. Sinto a relva verde nos meus pés e abrindo os olhos, a minha pele brilha com o sol. As minhas omoplatas transformam-se em asas. Alegre, deixo que o ar me empurre para cima e lá encontro-o. Um ser como eu, estende-me uma mão que eu prontamente aceito. Dançamos num ritmo interminável…
“Acorda!”, confusa fecho os olhos e sinto algo a percorrer o meu dedo. “Acorda!” num sobressalto abro os olhos e já não me encontro no meu mundo irreal. A minha mãe abana-me ligeiramente. Desapontada penso que foi tudo um sonho mas, quando levanto a mão vejo lá um anel de madeira que não possuía antes. Um dia, prometo, hei-de regressar.